Saturday, February 19, 2005

Por que me falas nesse idioma?

Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

(Cecília Meireles)

2 comments:

amita said...

Como comentar este belíssimo poema se "levamos toda a vida morrendo em surdina... até que o fogo..." Adorei, Peter. Bjos

Peter said...

Tb gostei e, por isso, o publiquei. As n/amigas brasileiras têm-me dado a conhecer alguma da sua maravilhosa poesia.