Sunday, April 03, 2005

Da noite

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

(Hilda Hist – “Da Noite” - 1992)

2 comments:

amita said...

Fantástico este poema de Hilda Hilst. Nem sei como comentá-lo pois se tanto diz... Bjos Peter

Márcia Maia said...

sem palavras. beijo e beijo. daqui.