Monday, June 15, 2009

Entre o ser e as coisas


Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

As almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.

N'água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo.

(Carlos Drummond de Andrade, "Antologia Poética", Publicações Dom Quixote 2007)
Foto Peter

6 comments:

Menina_marota said...

Carlos Drummond de Andrade é aquele Poeta que nos toca a alma com as suas palavras.

Grata pela visita ao meu blogue. Para não haver dúvidas coloquei a autoria do poema, que é minha :))

Quando são poemas próprios nunca os identifico, mas costumo identificar (sempre) a poesia dos outros.

Mas passarei a identificar a minha... acho que até mereço que o meu nome lá conste. (brinco) :-))))

Beijinhos e uma excelente semana

Paula Raposo said...

Bonita escolha, Peter! Beijos.

MeiaLua said...

Olá!!

Bonito poema!

Vim dizer que estou de volta :)
(conforme o tempo me for permitindo...)mas a pedido de várias famílias ou seja vocês :) e como também já tinha saudades... cá estou eu! :)
Beijokas*

Meg said...

Peter,

Como com palavras simples, se fazem tão belos poemas!

Um abraço

Papoila said...

Querido Peter:
Carlos Drimond de Andrade é um amigo que me acompanha... Magnífica a foto que ilustra o poema.
Beijos

Peter said...

Papoila

A foto fui eu que a tirei. É a praia de Porto de Mós (Lagos).
É um esclarecimento, podes utilizá-la se te apetecer, pois não tem copyrights.

Um beijo com muita amizade.