Sunday, December 26, 2004

Quando o amor morrer dentro de ti

Quando o amor morrer dentro de ti,
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços,
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.

Ruy Cinatti

5 comments:

Márcia Maia said...

Belo este soneto. Muito belo.

amita said...

Belíssimo Peter. Esperemos que o Amor nunca morra dentro de cada um. Bjos e um Bom Dia para ti

Peter said...

Márcia, é, não é? Vamos divulgando os nossos poetas e conhecendo os vossos.

"Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram."

Peter said...

"Amita", tudo passa, tudo morre. O amor não é excepção. Pode é diversificar-se, o que já não é mau. Quando falo em "diversificar-se", não me refiro necessariamente a uma mulher. Pode ser um filho, ou uma mãe. Bom Domingo.

mariagomes said...

belíssímo!