Tuesday, May 03, 2005

Nocturno de Lisboa



Pela noite adiante, com a morte na algibeira,
cada homem procura um rio para dormir,
e com os pés na Lua ou num grão de areia
enrola-se no sono que lhe quer fugir.

Cada sonho morre às mãos doutro sonho.
Dez-réis de amor foram gastos a esperar.
O céu que nos promete um anjo bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.

(Eugénio de Andrade)

3 comments:

BlueShell said...

A realidade...a TRISTE realidade...pela qual , também nós somos, de algum modo, responsáveis....
Jinho, BShell

Peter said...

Lê um livro de Dostoievski, ou vai a um ballet da Gulbenkian e isso passa-te ...

Márcia Maia said...

Incrível como o cru, o doloroso, faz-se belo pelas letras dele, esse poeta maior.
Um beijo daqui, onde chove.