Thursday, May 05, 2005

uma canção na manhã

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há uma canção nessa manhã azul
de antigamente
(a canção, não a manhã)
e eu oscilo, hesito entre manter-me inteira
no presente
ou escorregar leve, impercebida
e sorrateiramente
ao quarto fechado onde dormitam
em segurança,
todos os sentires inacabados.

há uma manhã nessa canção
de antigamente
(a manhã, não a canção)
e já nem sei o que é passado,
o que é presente,
mas vem em meu auxílio,
o telefone
e embora aveludada e rouca
não é tua,
a voz que me procura.

há uma canção nessa manhã
— nem tão azul —
(tampouco de antigamente)
apenas uma canção

: e nada mais.


Márcia Maia

3 comments:

ChuvaNegra said...

A menina tem bom gosto..
Sim, gostei...quem não houvera de gostar?

Peter said...

Márcia, espero que a nossa colaboração continue por muitos e bons tempos de molde a poderes dar vazão a toda a poesia que te vai na alma. Eu recolho-a, procuro uma imagem adequada e vou escolhendo o que por cá se faz, embora correndo o risco de a maior parte já ser do teu conhecimento.

Manoel Carlos said...

O azul do Recife, desde Carlos Pena Filho, tem marcado os poetas pernambucanos.
A melancolia, as evocações, as alegrias, os gritos de guerra... os tons de azul se combinam com os tons das palavras.
Em Márcia Maia o universo azul resplandece.