Tuesday, July 26, 2005

O silêncio da palavra


(Ticiano, "Venus de Urbino")

A mão silenciosa percorre o dorso cálido
que é um adormecer contínuo nos limites.
Nada mais que terra e solidão solar.
Nada treme e tudo está suspenso no vazio.
Nada se diz. É o silêncio da palavra.

(ARRosa)

10 comments:

amita said...

Tal como antigamente tal como agora
essa estrela esse muro
esse lento
esse morto
sorrir
nenhum acaso
nenhuma porta
impossível sair

(Ant.Ramos Rosa)

Belíssimos quadro de Ticiano e poema. Bjo

Peter said...

amita, o quadro é um "espanto"! Fica aí, enquanto estiver de férias.

amita said...

Obrigado Peter. É um enorme prazer ver tão bela obra. Boas férias e diverte-te. Bjos

Manoel Carlos said...

A bom entendedor o silêncio pode ser de ouro.

BlueShell said...

Lindíssimo...
E quando a palavra diz ...TANTO?

Outra coisa:
Estive fora mais de uma semana e ninguém sentiu a minha FALTA????

Ai, ai, ai....
Acabei de chegar. Depois conto PORMENORES...(alguns, apenas)...heheh
BShell...chegando do MAR AZUL!

BlueShell said...

Mas que porra!
Fazes falta, meu! VOLTA!C'um raio!

Não, não estou zangada-...estou à tua espera para dar um arzinho fresco ao "conversas 4"...ok?
Beijo, BShell

BlueShell said...

Ah...mandei-te um mail...com um questionário!
BS

Anonymous said...

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Menina_marota said...

Um rumor
irrompe das nocturnas
margens. Sombras deslumbrantes.
Um fulgor que desnuda e que despoja.
Campo de água ágil. Dança

Imóvel. Uma cegueira arde
Incendiando o tempo. Pátria
áspera de delicado alento.
Soberano marulhar do inexplorável.

Unânime é a pedra. Selvagem
a palavra despedaça a língua.
Um silêncio central domina e orienta
A substancia primária. A palavra inicia.

Rapidez da água entre resíduos
obscuros. Talvez o diadema.
Talvez a obscura dança aérea.
O leve poder do fogo, as suas marcas

ácidas. Pulsação
dos poros. Ardor do silêncio
no nocturno centro. Fulgor do desejo.
Uma deusa de água espraia-se nas palavras.

(António Ramos Rosa in "Mediadora da Palavra")

Que estejas a ter umas óptimas férias...e desculpa a ausência... mas, voltarei...

Jinhos ;)

Heloisa B.P said...

"A mão silenciosa percorre o dorso cálido
que é um adormecer contínuo nos limites.
Nada mais que terra e solidão solar.
Nada treme e tudo está suspenso no vazio.
Nada se diz. É o silêncio da palavra."
*************************E, eu, em "SILENCIO", LEIO E OLHO, como quem ORA!!!!!!!!
_Silenciosamente, saio, porque a forca emanada da Palavra e da Imagem, me deixam "MUDA"!!!!!!!
Abraco, Peter!
Que esteja em SAUDE E ALEGRIA, onde quer que esteja!
Heloisa.
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