Monday, October 24, 2005

MINHA SENHORA DE QUÊ



dona de quê
se na paisagem onde se projectam
pequenas asas deslumbrantes folhas
nem eu me projectei

se os versos apressados
me nascem sempre urgentes:
trabalhos de permeio refeições
doendo a consciência inusitada

dona de mim nem sou
se sintaxes trocadas
o mais das vezes nem minha intenção
se sentidos diversos ocultados
nem do oculto nascem
(poética do Hades quem mdera!)

Dona de nada senhora nem
de mim: imitações de medo
os meus infernos

(ANA LUÍSA AMARAL, Minha Senhora de Quê)

3 comments:

A. Duarte Lázaro said...

Bela escolha. Gosto bastante do trabalho de Ana Luísa Amaral. Adorei a criatividade das cartas criadas entre Camões e Natércia.
Quanto a este "minha senhora de quê" muito nos (me) faz reflectir...
Um beijito amigo

dulce said...

Não conhecia. "Dona de nada senhora nem de mim..." Gostei muito e vou procurar ler mais.
Bjs.

lazuli said...

Vir aqui dá uma paz de espírito..
Redescubro mais uma poetisa, devo ter um livro dela algures por aqui.
Fur Elise..e basta.