Sunday, July 01, 2007

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

(Alexandre O'Neill)

Foto:
“Le Baiser de l'Hotel de Ville”, Paris, 1950, Robert Doisneau.

5 comments:

Ana Luar said...

Beijo-te com todo o carinho atribuido-te o prémio 7 Maravilhas

Papoila said...

Agradeço-te aqui a nomeação!
Este é o poema perfeito para esta magnífica foto. A entrega destes dois jovens indiferentes ao bulicio que os rodeia.
Beijo

Paula Raposo said...

Uma excelente escolha, Peter. Às vezes chego a pensar que não existem mais palavras que nos beijem. Mas eu sei que elas existem, afinal, onde sempre estiveram. Dentro de nós. Beijos.

Ashera said...

Gosto imenso deste poema
Vim visitar-te :-))
Passei em outro blog teu mas não deu para comentar :-(
Parabéns pelo teu trabalho,, tento acompanhar
Boa noite para ti
Beijos

Dança de lágrimas... said...

Excelente.

Adorava beijar os teus lábios.
Pela primeira vez em toda a minha vida senti vontade descontrolável de beijar alguém...


Um simples beijo *