Friday, September 18, 2009

Corpo de aroma

Se foste corola ou barco,
mas quando?
minha irmã,
minha leve amante, minha árvore,
que o mundo levantava
na inocência absoluta
do instante.
Alta estavas no amplo e recolhida
como uma lâmpada,
alta estavas na varanda branca.
Se acaso ainda podes ser aroma
dos meus olhos,
corpo no corpo,
retiro e substância, linha alta
da delícia,
nada te pedirei na minha ânsia
de puro espaço,
de azul imediato,
de luz para o olvido e o deserto.

(António Ramos Rosa)

2 comments:

antonio - o implume said...

A inocência absoluta do momento devia de nos bastar!

Meg said...

Peter,

Reler Ramos Rosa é sempre uma redescoberta... as palavras revoltas nos sentidos dos instantes.

Um abraço