Friday, October 16, 2009

A brusca poesia da mulher amada


Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo.
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido.
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios.
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias.
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.

(Vinicius de Moraes)
Foto Peter

2 comments:

tulipa said...

OLÁ PETER

Faz hoje 34 anos que perdi a minha querida Mãe e faz hoje 1 ano que fui à entrevista de selecção para o meu novo e actual emprego, posso dizer que em boa hora lá fui, ao Porto.
Mas, nos meus blogues falo de cinema e faço um desafio. Será que posso ver o que vês da janela do teu quarto?
Eu mostro o que vejo, sinto uma paz tão doce.

Parabéns pelas tuas fotos, sempre bonitas e interessantes.
Obrigado pela partilha de tão bela poesia.
Um abraço.

antonio - o implume said...

A mulher amada na voz de um poeta...