Monday, November 08, 2004

O andarilho do mundo

Pertenço e componho a classe dos tecelões de sonhos. Categoria de homens e mulheres ditos artistas por ofício de cantantes do mundo em prol do que suas almas adivinham. Eu celebro a gota da tarde que escorre no suor do dia que mancha o assoalho lustroso da noite. O fim da tarde é o despertar das infinitas possibilidades que a noite esconde. Eu saio para bailar entre os postes, meus únicos comparsas das ruas noturnas que parecem minhas. Sou o único a caminhar na louca noite de beleza e manto-breu! E eu quero perder os sentidos, irracionalizar a noção do real e galopar os meio-fios e as grades. Correr a nudez das ruas e despir os tijolos das casas. Quero não temer as palavras que eu escrever. Quero não sentir mais medo da possibilidade que há da minha criação fracassar. Quero mais que acreditar, quero reverenciar o destino como quem abençoa igualmente glórias e tragédias. Eu pertenço ao mundo dos estranhos sonhadores natos. Essas pessoas que nem percebem que só e a tudo observam querendo adivinhar até mesmo as intuições. Eu beijo os bares ouvindo jazz como se o mais íntimo jazzista fosse. A minha prepotência é a força que me faz alçar meus vôos no ponto mediano relativo à minha aspiração para meu ego e brilho. Eu sonho ser gigante um dia.

(enviado do Brasil por Lú)

1 comment:

amita said...

Muito belo este texto da Lú. Tenho de visitar o blog dela. Bjinhos Lú e parabéns Peter.