Monday, April 25, 2005

25 de abril de 1974


A noite que há tanto se estendia, súbito, à beira Tejo, se foi dissipando. Há tanto emudecidas, as gentes se surpreendiam cantando. Primeiro manso, e então, a plenos pulmões. E da terra e das mãos de cada um, brotaram os cravos. Rubros cravos. Em toda a parte, floriu a terra morta. Em toda a parte, fez-se nova e eterna a primavera. E a Liberdade abriu seus braços sobre a terra, sobre o Tejo. E, por toda a Terra, fez ouvir a sua voz. E de longe, sobre o mar, nos acenava nos dizendo: é possível. E de longe, sobre o mar, todos nós, também cantávamos, também sorríamos. E sonhávamos com o dia em que os cravos — todos rubros— finalmente brotariam entre nós.


Márcia Maia



É pra mim, uma emoção imensa chegar aqui, a convite do Peter, vinda do outro lado do mar, justamente num 25 de abril. Um dia que vive na memória, e no coração, de cada brasileiro que viveu aquela época. Por isso, meu primeiro texto é um presente, um carinho, uma homenagem a todos os que, naquele distante 25 de abril, nos fizeram ver que havia uma saída, que a noite não era eterna.


2 comments:

Manoel Carlos said...

Cá, como lá, o sonho virou pesadelo, mas a semente está lançada, ainda podemos acreditar na Terra da Fraternidade, simbolizada pelos cravos vermelhos que continuaremos a cultivar.

Loba said...

Amiga, como eu já disse, que os cravos floresçam aqui e aí! Aproveitei pra viajar por aqui... belo blog! Beijos aos dois