Wednesday, November 02, 2005

Eterna Dor


Já te esqueceram todos neste mundo...
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro,
Daquela escura noite de Setembro
Em que da cova te deixei no fundo.

Desde esse dia um látego iracundo
Açoitando-me está, membro por membro.
Por isso que de ti não me deslembro,
Nem com outra te meço ou te confundo.

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido,
Vou chorar minha acerba desventura,
Eu tenho a sensação de haver morrido!

E até, meu doce amor, se me afigura,
Ao beijar o teu túmulo esquecido,
Que beijo a minha própria sepultura!

Artur Azevedo (poeta brasileiro)

7 comments:

A. Duarte Lázaro said...

Lindíssima a grandeza d sentimento. Mas perante tanta tristeza... mantenho silêncio.

dulce said...

Tão triste este poema! Belo mas muito triste.
Beijos

Peter said...

Hoje é Dia de Finados. Escolhi um poema adequado ao dia e escrito por quem, possivelmente, tinha sofrido a morte de alguém muito querido.

vero said...

Tão lindo e ao mesmo tempo tão triste...
O sofrimento profundo de quem provavelmente perdeu alguém a quem muito amava!
Gostei muito...lindo...
Beijinhos***

amita said...

Há sentimentos que perduram para além da morte. Muito belo este poema, Peter. Um bjo e um bom dia para ti

dulce said...

Dizes que me adicionaste ao Conversas. Quais Conversas?

Peter said...

Dulce:
O n/blog colectivo e que já é o nº 4, depois dos anteriores terem esgotado o crédito de 100% concedido pelo SAPO.

http://conversasdexaxa4.blogspot.com

Já constas dos links e já hoje coloquei um coment no teu blog.