Saturday, January 14, 2006

Inédito de Fernando Pessoa


A luz que vem das estrelas,
Diz ---- pertence-lhes a elas?
O aroma que vem da flor,
É seu? Dize, meu amor.

Problemas vastos, meu bem,
Cada cousa em si contém.
Pensando claro se vê
Que é pouco o que a mente lê
Em cada cousa da vida,
Pois que cada cousa, enfim,
É o ponto de partida
Da estrada que não tem fim.

Perante este sonho eterno
Falar em Deus, céu, inferno...

Ah! dá nojo ver o mundo
Pensar tão pouco profundo.

(15/11/1908)

6 comments:

Anonymous said...

É curioso como a poesia inédita de Fernando Pessoa é a mais bela!
Tem tanta sensibilidade... e é tão profunda...
Se tivesse começado por conhecer estes seus poemas, teria sido muito mais agradável lê-lo, estudá-lo e ensiná-lo.

Um beijinho com muita amizade,
Margarida

P.S.: Os teus textos também estão muito mais sensíveis e profundos... denotam mudanças em ti.

Peter said...

Margarida, talvez haja um motivo e talvez eu tenha deitado tudo a perder ...

Anonymous said...

Peter, os motivos é certo que éxistem e são teus... Mas o comentário é para dizer que espero que tudo se recomponha. Pareces-me triste/desalentado...

Um beijo amigo,
Margarida

Anonymous said...

*existem

BlueShell said...

Como entendo tudo isso....

BShell

amita said...

Não desistas. Este teu espaço é sensível e lindo, como tu que as tuas letras no outro tão bem entendo, meu amigo. Um bjo e que uma flor em sorrisos te alegre este dia