Tuesday, January 10, 2006

O último amor



Autor: Paulo Acencio

Era o último amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.

Era o último amor. Quem adivinha
o sabor breve pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão

Era o último amor, o mais perfeito
fulvor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes e passada.

Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.

(Luis Filipe Castro Mendes, n.1950)

1 comment:

Isabella said...

e de quantas maneiras se pode escrever o amor??? mesmo que seja o último, quando o saberemos...?!!
Bonito poema!
beijinho, Peter